A voadora que recebi da alergia

Tenho alergia à poeira, mofo, fuligem e poeira de obra. Na casa dos meus pais, a casa é mantida no mais absoluto rigor no quesito limpeza (e em vários outros também. Hehehe). Tudo está sempre limpo, espanado, organizado… A casa inteira exala perfume, lavanda do campo, esses cheiros bons. 🙂 (saudades!)

Quando me mudei, comecei a criar o ritmo que me agrada aqui em casa. Sou virginiana xiita, alérgica e Tipo 1 no Eneagrama, então, você pode imaginar que as minhas afinidades com o estilo de vida que me acompanhou por 27 anos não são imposições. Pelo contrário: foram bons anos de aprendizado para manter tudo fluindo.

No entanto, mesmo mantendo a casa com cuidados marciais de limpeza e organização, moro em frente a uma rua movimentadíssima, com carros passando o tempo inteiro, congestionamento e outros falálás. Fora isso, andando pelas ruas ou por outros lugares com outros métodos de limpeza, a alergia parece ter me ouvido chegar e bateu na porta. Meu corpo, por alguma razão que desconheço – ou não -,  está de ressaca e anestesiado faz algum tempo, deixou que essa cáspita entrasse. Resultado: três semanas com INTENSA tosse, espirros, corpo mole, nariz congestionado e etc, etc.

A alergia me nocauteou com um gancho de esquerda. Não satisfeita, me deu uma voadora súbita, me deixando inapta para qualquer serviço por dois dias. Sorte que os médicos que me acompanham são rápidos e fisgaram a maluca tentando me açoitar. Fora isso, minha mãe sabe uma receita de família,  do tipo centenária, de uma espécie de mel natural feito de folhas, ervas e outras coisas orgânicas que é simplesmente incrível! Tomei esse mel por 5 anos quando era criança e fiquei livre de todo tipo de problema alérgico ou resfriado.

Mamãe enviou o mel, que chamamos carinhosamente de ‘lambedor’ (pela aparência viscosa, doce, um pântano de açúcar), e comecei a tomar, seguindo também os remédios indicados. Nos últimos dias, tenho estado bem melhor. Mas tenho pensado em, algum dia não tão distante, respirar uma possibilidade mais natural, mais próxima da terra, das folhas, da luz do sol, dos pássaros.

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Fluxo de consciência # 19

Tem certos dias em que o cansaço me vence. As pernas doem, o corpo lateja, a cabeça pulsa. A mecanicidade da rotina é ferramenta de tortura medieval. Encontrar o equilíbrio e driblar o “mais do mesmo” é um dos grandes desafios.

Tenho dormido tarde, acordado cedo, trabalhado, me dedicado a um projeto pessoal, estado próxima da minha família ❤ e de meus amigos queridos ❤ , organizado minha casa e lidado com o resto do mundo. Dentre essas coisas, as paixões eu tiro de letra. Já as obrigações e convenções sociais são mais exaustivas do que posso suportar.

Criei uma conta no Instagram para poder falar/ilustrar sobre o que gosto. É um alívio, uma recompensa. Como dizia Ferreira Gullar: “A arte existe porque a vida não basta”. Definitivamente, ela não basta. É um tremendo alívio quando posso ficar só com os meus pensamentos e conversar horas e horas com eles, sem falar sequer uma palavra. Maravilhoso é o conforto de criar algo, tirar algo do universo abstrato e torná-lo real. A cura está no silêncio e na observação, mas é um afago na alma conversar com gente agradável, com exploradores do mundo e de si mesmos, que estão interessados em algo a mais do que egos, superficialidades, máscaras, lamentações ou chateações.

Surreal poder conversar, através da literatura, da música, do cinema e da pintura, com velhos amigos, pesssoas que já morreram há muuuuito tempo. É ultradimensional, uma experiência magnética e impagável!

É bom matar a saudade daqueles nos quais tive o prazer de conhecer em vida e que tanto me ajudaram, influenciaram, indicaram novas rotas e provaram que fruição estética pode estar associada a conhecimento (sim, é possível!).

Quando o tédio do presente bate a porta, quando o cansaço grita em meu ouvido e certas relações sociais tornam-se um fardo demasiado pesado, eu me volto para o passado, para outras dimensões, para dentro de mim. Entro e fecho a porta no meu lugar inviolável.

Kafka é mais forte do que a ***

Ontem, eu estava com um volume considerável de papéis para ler. Entre eles, a temida *** (não vem ao caso do que se trata. O que importa é a história). Só de olhar para a ***, meu estômago embrulha. É um misto de chatice, problematização e complexidade que é difícil fazer o sinal de legal e sorrir.

Em dado momento, parei para respirar e decidi garimpar um pouco pela internet. Achei um conto de Kafka (Um Médico de Aldeia) e não resisti – tentei, mas não consegui. É incrível, fascinante e angustiante – quem está com deadlines a todo vapor sabe disso – como a literatura pode ser o redemoinho, o furacão, a perdição ou a paixão bandida de alguém. Olhei para a *** e depois para Kafka. Foi fácil demais escolher.

cigarretes
Tenha nervos.

Fluxo de consciência # 18

Tirar isso de dentro. Silêncio, apenas silêncio. Não falar é a cura. Você se cansa, respira fundo, mas se cansa. Olha para todos os lados e precisa concentrar as energias que restam porque trabalhar duro é fácil; o difícil, o realmente difícil, é suportar a interação social com os chacais. E aqui estão eles, por toda parte e em todo lugar. E apenas por dentro, bem dentro, alguém cansado, exausto, resmunga. Por fora, é permitido e de bom tempo resmungar apenas com os olhos.

A cada dia que passa, sua missão fica mais clara: está ali, não se distraia, não se iluda. Há pessoas fiéis ao seu lado. Você sabe quem são. Elas são leais – e deverão ser até o final. Para algumas delas, não existe final.

“Está aqui, a resposta está aqui. Nós sinalizamos para você. Ainda não viu?”

E sim, você vê. Finalmente, depois de longos – QUASE ETERNOS – anos, você vê.

Eles estão seu lado, você não precisa temer. Você sabe quem eles são. E em um mundo onde ninguém sabe quem é ninguém, você os conhece.

Você reconhece os movimentos do mundo e percebe… Percebe que eles são vazios de significado. Exaustão no mundo externo. Carinho, acolhimento, paz e atenção no mundo interno.

O silêncio é a resposta.

Fluxo de consciência # 17

Hoje de madrugada, rolou o maior tiroteio pelas ruas da Grande Tijuca. Segundo relatos de pessoas em um grupo no Facebook, a perseguição policial só teve fim em uma rua movimentada de Vila Isabel.

Do meu apartamento, escutei mais de 20 tiros em questão de segundos. Eu vivo aqui há quase três anos e me pergunto como é viver a vida inteira debaixo dessa chuva de violência. A beleza precisa ser, necessariamente, algo frágil e trágico? Algo que exige tanto, que neutraliza e sequestra? Acho que não.

Fluxo de consciência # 16

Depois de horas na frente do computador e de papéis, meus olhos estão ardendo como dois tomates verdes fritos. De qualquer forma, acordei 5h ouvindo o canto do galo em algum lugar das proximidades ~ isso sempre me encanta! ~ e o barulho de motores ~ isso me desencanta profundamente!

Fiz as atividades cotidianas – planeje, faça, cheque e aja – e tirei alguns preciosos minutos para lembrar da minha irmã acordando de madrugada para jogar Zelda.

zelda
Lembrança da madrugada

 

 

 

 

 

 

 

 

Saudades de jogar videogame. Nunca pensei que fosse dizer isso, mas… Lá vai. Vou tirar um dia sabático para jogar, assistir animes, ler quadrinhos e comer besteira para caramba – o que não é difícil!

goku
Eu e a minha irmã ~ minha irmã e eu 🙂

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vou terminar com uma lembrança para o meu tesourinho e para mim mesma:

game
Just for you and me 😀