E = hf #5

“Nossas ações são as melhores interpretações de nossos pensamentos.”

John Locke

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Pr = x L/4ΠR2 Πr2  (5)
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Feeling Vampiresco

Em uma coisa, pelo menos, eu e os vampiros temos muita afinidade: sofremos de sensibilidade profunda ao sol.

Eu amo o sol! Gosto demais do amanhecer, das primeiras horas da manhã despertando o mundo mais uma vez, dos cândidos raios solares atravessando janelas e cortinas para chegar até nós, oh, escravos de Morfeu! Essas pequenas ações da natureza me causam profundo regozijo.

No entanto, depois das 6 horas da manhã, no massacrante período conhecido como Verão – auxiliado por sua meiga parceira conhecida como Primavera -, meus olhos queimam. Sim, meus amigos, é exatamente isso: meu corpo entra em combustão.

Não consigo ler ou ficar muitas horas parada em um lugar iluminado. Se pensar em utilizar o computador, por mais que o contraste e a iluminação do aparelho estejam no mínimo, vou desenvolver uma enxaqueca teimosa, que só me abandonará – e se abandonar – depois de ser expulsa a pontapés por analgésicos. Mas como tudo tem um preço, os analgésicos cobram o seu. Só consigo utilizar máquinas com telas que reproduzem luminosidade se eu estiver em ambiente fechado, com todas as cortinas cerradas e fazendo uso de luz artificial.

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Portanto, eu tento o máximo possível – e impossível – evitar o sol entre 10h da manhã e 17h da tarde. O que acabou gerando um outro problema: em um exame de sangue feito no começo do semestre, foi constatado que meu corpo estava com insuficiência gritante de vitamina D (a danada da vitamina solar!).

Por conta disso, eu fiquei fraca, sem força ou ânimo para quase nada, com queda de cabelo e certa melancolia. Também fiquei doente com mais frequência e tive “inexplicáveis” dores no corpo. Enfim, tive que voltar para o sol de novo.

“E por que você não usa óculos escuros?”, podem perguntar os especialistas. Bem, eu uso óculos de grau, não me dei bem com lentes de contato e precisaria solicitar a fabricação de óculos escuros com grau apropriado. No momento, não estou nenhum pouco a fim de desembolsar uma nota para isso. “I am sorry, guys!”.

A fotofobia é a principal ligação que tenho com o mundo vampiresco. Ah, e claro: o efeito combustão. Quem conhece o personagem Shishio Makoto, do anime e mangá Rurouni Kenshin, já deve imaginar o que é isso. Em níveis menos drásticos, devo salientar.

Os sons que não ouvimos

Como já mencionei anteriormente, moro em uma rua movimentada. Há diversos tipos de sons por aqui: tráfego intenso, buzinas desmioladas, motos com escapamento barulhentíssimo (e por favor, não chamem de “escapamento esportivo”), latidos ininterruptos, conversas gritantes de transeuntes, caminhão de lixo, briga de vizinhos, playlist do rapper que mora em frente e o estalar de latas de refrigerante e cerveja sendo esmagadas.

Durante meses, devido ao meu estado de espírito, eu só fui capaz de ouvir esses sons. Até que, depois que dei início a um ciclo de renovação e meditação na minha vida, me dei conta de que existem outros sons… E eles são maravilhosamente lindos! Há o canto dos inúmeros passarinhos – e começa bem cedo, aproximadamente 5:30h da manhã -, o chamado da trupe de maritacas que sobrevoam a região, o miado manhoso dos meus gatos, o canto do galo que mora nas redondezas – apelidado aqui em casa carinhosamente de Teresino ❤ – , o latido dos cachorros chamando os seres humanos para apreciar o nascer do sol, o som do ventilador circulando no quarto, a respiração tranquila de meu marido, um ou outro ônibus que passa sem a pressa habitual das 7 horas da manhã, o ruído de alguém mexendo nas panelas e ligando o chuveiro… Esses e muitos outros sons que sinalizam que mais um dia está começando.

Acordar cedo é um privilégio e me sinto grata e contente por poder fazer isso todos os dias. Sempre levantei antes do amanhecer quando morava em Teresina. Quando me mudei para o Rio de Janeiro, esqueci um pouco a importância desse hábito – meu horário de trabalho e rotina mudou – e fui deixando de lado. Comecei a sentir muita falta de alguma coisa, mas não sabia ao certo do que se tratava. Foram necessários quase três anos para que eu, saindo da letargia, percebesse que essa necessidade estava me fazendo imensa falta. Resolvi alterar esse fato no meu cotidiano. Desde então, tudo tem sido infinitamente melhor.

Levanto antes do despertar dos primeiros raios de sol, ouço todos os sons que me cercam e agradeço sempre por ter a oportunidade de viver nesta dimensão por mais um dia!

A voadora que recebi da alergia

Tenho alergia à poeira, mofo, fuligem e poeira de obra. Na casa dos meus pais, a casa é mantida no mais absoluto rigor no quesito limpeza (e em vários outros também. Hehehe). Tudo está sempre limpo, espanado, organizado… A casa inteira exala perfume, lavanda do campo, esses cheiros bons. 🙂 (saudades!)

Quando me mudei, comecei a criar o ritmo que me agrada aqui em casa. Sou virginiana xiita, alérgica e Tipo 1 no Eneagrama, então, você pode imaginar que as minhas afinidades com o estilo de vida que me acompanhou por 27 anos não são imposições. Pelo contrário: foram bons anos de aprendizado para manter tudo fluindo.

No entanto, mesmo mantendo a casa com cuidados marciais de limpeza e organização, moro em frente a uma rua movimentadíssima, com carros passando o tempo inteiro, congestionamento e outros falálás. Fora isso, andando pelas ruas ou por outros lugares com outros métodos de limpeza, a alergia parece ter me ouvido chegar e bateu na porta. Meu corpo, por alguma razão que desconheço – ou não -,  está de ressaca e anestesiado faz algum tempo, deixou que essa cáspita entrasse. Resultado: três semanas com INTENSA tosse, espirros, corpo mole, nariz congestionado e etc, etc.

A alergia me nocauteou com um gancho de esquerda. Não satisfeita, me deu uma voadora súbita, me deixando inapta para qualquer serviço por dois dias. Sorte que os médicos que me acompanham são rápidos e fisgaram a maluca tentando me açoitar. Fora isso, minha mãe sabe uma receita de família,  do tipo centenária, de uma espécie de mel natural feito de folhas, ervas e outras coisas orgânicas que é simplesmente incrível! Tomei esse mel por 5 anos quando era criança e fiquei livre de todo tipo de problema alérgico ou resfriado.

Mamãe enviou o mel, que chamamos carinhosamente de ‘lambedor’ (pela aparência viscosa, doce, um pântano de açúcar), e comecei a tomar, seguindo também os remédios indicados. Nos últimos dias, tenho estado bem melhor. Mas tenho pensado em, algum dia não tão distante, respirar uma possibilidade mais natural, mais próxima da terra, das folhas, da luz do sol, dos pássaros.