Lista de leituras 2017

Não há razão para esconder: o ano de 2017 foi muito abaixo do mínimo esperado no quesito leitura. Minha meta não foi, nem de longe, alcançada. Não adianta elencar justificativas: as coisas são como são. As leituras que realizei foram (p.s: avaliação pessoal, meramente didática e ilustrativa, variando de 0 a 10):

1 – Último Turno, de Stephen King  – 8,5

2 – Atlas de Nuvens, de David Mitchell – 9,0

3 – 1808, de Laurentino Gomes – 9,0

4 – Cinco Esquinas, de Mario Vargas Llosa – 8,5

5 – Carrie, de Stephen King – 9,0

6 – O Demonologista, de Andrew Pyper – 4,0

7 – Vertigo (Um corpo que cai), de Boileau-Narcejac – 9,0

8 – Osho de A a Z (coletânea), de Osho – 8,5

9 – Balzac, de François Taillandier – 9,2

10 – Cândido, o Otimista, de Voltaire – 10

11 – A lista dos meus desejos, de G. Delacourt – 5,0

12 – 1977, de Guy Lion Playfair – 8,0

13 – Quem me roubou de mim?, de padre Fábio de Melo – 8,5

14 – Todas as Manhãs, de Mara Vanessa Torres (euzinha) e Rafaela Torres (mana) – 9,0 (claro, ué! : )  )

15 – O Leopardo, de Jo Nesbo – 6,0

16 – O curioso caso de Benjamim Button / Bernice corta o cabelo, de F. Scott Fitzgerald – 9,5

17- Noites Brancas e outras histórias, de Dostoiévski – 10

19 – Leonardo da Vinci (coleção Mortos de Fama) – 9,0

20 – Antologia, de Rui Barbosa – 10


Para uma pessoa acostumada a ler de 100 a 150 livros por ano, 2017 foi um tapão no ego, nas narinas e onde mais dói. Uma prova necessária de que é preciso baixar a bola, falar menos e ler mais.

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Sobre como karma é uma coisa séria

Uma historinha cotidiana para ilustrar tal pensamento:

Eu estava em uma loja de utilidades procurando panos de limpeza e outros utensílios domésticos. Fazia um calor absurdo e o tempo estava abafado. Eu transpiro muito – herança genética – e minha camiseta vermelha estava encharcada (principalmente nas costas e axilas). Um grupo de 3 ou 4 funcionários, ao me ver perambular pela loja, começou a caçoar de minha “condição dérmica”. Piadas como “Nossa, está tão quente!”, “Eita, que calor dos orientes!” e coisas do tipo começaram a pipocar nas minhas costas.

Sinceramente, não dei bola. Mas devo dizer que acho piadas e gracejos despropositados uma ocupação de muito mau gosto. Na verdade, detesto piadas.

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Minutos depois, quando eu estava saindo da loja, uma das integrantes do grupo de caçoadores tentava pegar um objeto em uma prateleira alta. Ela é uma mulher de estatura baixa, o que impedia, dessa forma, que ela alcançasse a prateleira.

A mulher se desequilibrou, topou em mim e quase caiu. Essa topada me fez ir de encontro aos pratos de porcelana. Por sorte, sabe-se lá como, segurei 90% dos pratos. Dois caíram e não sofreram nenhuma raladura e só um trincou na ponta.

Moral da história: Qualquer coisa que você faça, por mais “insignificante” que possa parecer, volta para você. Para o bem ou para o mal.

Feeling Vampiresco

Em uma coisa, pelo menos, eu e os vampiros temos muita afinidade: sofremos de sensibilidade profunda ao sol.

Eu amo o sol! Gosto demais do amanhecer, das primeiras horas da manhã despertando o mundo mais uma vez, dos cândidos raios solares atravessando janelas e cortinas para chegar até nós, oh, escravos de Morfeu! Essas pequenas ações da natureza me causam profundo regozijo.

No entanto, depois das 6 horas da manhã, no massacrante período conhecido como Verão – auxiliado por sua meiga parceira conhecida como Primavera -, meus olhos queimam. Sim, meus amigos, é exatamente isso: meu corpo entra em combustão.

Não consigo ler ou ficar muitas horas parada em um lugar iluminado. Se pensar em utilizar o computador, por mais que o contraste e a iluminação do aparelho estejam no mínimo, vou desenvolver uma enxaqueca teimosa, que só me abandonará – e se abandonar – depois de ser expulsa a pontapés por analgésicos. Mas como tudo tem um preço, os analgésicos cobram o seu. Só consigo utilizar máquinas com telas que reproduzem luminosidade se eu estiver em ambiente fechado, com todas as cortinas cerradas e fazendo uso de luz artificial.

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Portanto, eu tento o máximo possível – e impossível – evitar o sol entre 10h da manhã e 17h da tarde. O que acabou gerando um outro problema: em um exame de sangue feito no começo do semestre, foi constatado que meu corpo estava com insuficiência gritante de vitamina D (a danada da vitamina solar!).

Por conta disso, eu fiquei fraca, sem força ou ânimo para quase nada, com queda de cabelo e certa melancolia. Também fiquei doente com mais frequência e tive “inexplicáveis” dores no corpo. Enfim, tive que voltar para o sol de novo.

“E por que você não usa óculos escuros?”, podem perguntar os especialistas. Bem, eu uso óculos de grau, não me dei bem com lentes de contato e precisaria solicitar a fabricação de óculos escuros com grau apropriado. No momento, não estou nenhum pouco a fim de desembolsar uma nota para isso. “I am sorry, guys!”.

A fotofobia é a principal ligação que tenho com o mundo vampiresco. Ah, e claro: o efeito combustão. Quem conhece o personagem Shishio Makoto, do anime e mangá Rurouni Kenshin, já deve imaginar o que é isso. Em níveis menos drásticos, devo salientar.

Os sons que não ouvimos

Como já mencionei anteriormente, moro em uma rua movimentada. Há diversos tipos de sons por aqui: tráfego intenso, buzinas desmioladas, motos com escapamento barulhentíssimo (e por favor, não chamem de “escapamento esportivo”), latidos ininterruptos, conversas gritantes de transeuntes, caminhão de lixo, briga de vizinhos, playlist do rapper que mora em frente e o estalar de latas de refrigerante e cerveja sendo esmagadas.

Durante meses, devido ao meu estado de espírito, eu só fui capaz de ouvir esses sons. Até que, depois que dei início a um ciclo de renovação e meditação na minha vida, me dei conta de que existem outros sons… E eles são maravilhosamente lindos! Há o canto dos inúmeros passarinhos – e começa bem cedo, aproximadamente 5:30h da manhã -, o chamado da trupe de maritacas que sobrevoam a região, o miado manhoso dos meus gatos, o canto do galo que mora nas redondezas – apelidado aqui em casa carinhosamente de Teresino ❤ – , o latido dos cachorros chamando os seres humanos para apreciar o nascer do sol, o som do ventilador circulando no quarto, a respiração tranquila de meu marido, um ou outro ônibus que passa sem a pressa habitual das 7 horas da manhã, o ruído de alguém mexendo nas panelas e ligando o chuveiro… Esses e muitos outros sons que sinalizam que mais um dia está começando.

Acordar cedo é um privilégio e me sinto grata e contente por poder fazer isso todos os dias. Sempre levantei antes do amanhecer quando morava em Teresina. Quando me mudei para o Rio de Janeiro, esqueci um pouco a importância desse hábito – meu horário de trabalho e rotina mudou – e fui deixando de lado. Comecei a sentir muita falta de alguma coisa, mas não sabia ao certo do que se tratava. Foram necessários quase três anos para que eu, saindo da letargia, percebesse que essa necessidade estava me fazendo imensa falta. Resolvi alterar esse fato no meu cotidiano. Desde então, tudo tem sido infinitamente melhor.

Levanto antes do despertar dos primeiros raios de sol, ouço todos os sons que me cercam e agradeço sempre por ter a oportunidade de viver nesta dimensão por mais um dia!