Kafka é mais forte do que a ***

Ontem, eu estava com um volume considerável de papéis para ler. Entre eles, a temida *** (não vem ao caso do que se trata. O que importa é a história). Só de olhar para a ***, meu estômago embrulha. É um misto de chatice, problematização e complexidade que é difícil fazer o sinal de legal e sorrir.

Em dado momento, parei para respirar e decidi garimpar um pouco pela internet. Achei um conto de Kafka (Um Médico de Aldeia) e não resisti – tentei, mas não consegui. É incrível, fascinante e angustiante – quem está com deadlines a todo vapor sabe disso – como a literatura pode ser o redemoinho, o furacão, a perdição ou a paixão bandida de alguém. Olhei para a *** e depois para Kafka. Foi fácil demais escolher.

cigarretes
Tenha nervos.
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Mantra visual #2: Chuva

Chove desde cedo. Vários pontos da cidade estão alagados. Caos.

Ouço os pingos audaciosos baterem na minha janela antes de se lançarem em queda livre. Não há medo; pelo contrário: diante da efemeridade de todas as coisas, eles se entregam aos castelos de ar.

Cachorros latem ao longe – mas não tão longe. Novamente, os pingos de chuva. São quase 2h da manhã e a casa começa a ganhar vida.

Carros aceleram na pista molhada, enfrentando poças de água e pequenos córregos. Ao longe, o sinal de um portão eletrônico dispara. Vozes altas, como sempre, esnobam o silêncio da madrugada.

Chuva.