Os sons que não ouvimos

Como já mencionei anteriormente, moro em uma rua movimentada. Há diversos tipos de sons por aqui: tráfego intenso, buzinas desmioladas, motos com escapamento barulhentíssimo (e por favor, não chamem de “escapamento esportivo”), latidos ininterruptos, conversas gritantes de transeuntes, caminhão de lixo, briga de vizinhos, playlist do rapper que mora em frente e o estalar de latas de refrigerante e cerveja sendo esmagadas.

Durante meses, devido ao meu estado de espírito, eu só fui capaz de ouvir esses sons. Até que, depois que dei início a um ciclo de renovação e meditação na minha vida, me dei conta de que existem outros sons… E eles são maravilhosamente lindos! Há o canto dos inúmeros passarinhos – e começa bem cedo, aproximadamente 5:30h da manhã -, o chamado da trupe de maritacas que sobrevoam a região, o miado manhoso dos meus gatos, o canto do galo que mora nas redondezas – apelidado aqui em casa carinhosamente de Teresino ❤ – , o latido dos cachorros chamando os seres humanos para apreciar o nascer do sol, o som do ventilador circulando no quarto, a respiração tranquila de meu marido, um ou outro ônibus que passa sem a pressa habitual das 7 horas da manhã, o ruído de alguém mexendo nas panelas e ligando o chuveiro… Esses e muitos outros sons que sinalizam que mais um dia está começando.

Acordar cedo é um privilégio e me sinto grata e contente por poder fazer isso todos os dias. Sempre levantei antes do amanhecer quando morava em Teresina. Quando me mudei para o Rio de Janeiro, esqueci um pouco a importância desse hábito – meu horário de trabalho e rotina mudou – e fui deixando de lado. Comecei a sentir muita falta de alguma coisa, mas não sabia ao certo do que se tratava. Foram necessários quase três anos para que eu, saindo da letargia, percebesse que essa necessidade estava me fazendo imensa falta. Resolvi alterar esse fato no meu cotidiano. Desde então, tudo tem sido infinitamente melhor.

Levanto antes do despertar dos primeiros raios de sol, ouço todos os sons que me cercam e agradeço sempre por ter a oportunidade de viver nesta dimensão por mais um dia!

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Kafka é mais forte do que a ***

Ontem, eu estava com um volume considerável de papéis para ler. Entre eles, a temida *** (não vem ao caso do que se trata. O que importa é a história). Só de olhar para a ***, meu estômago embrulha. É um misto de chatice, problematização e complexidade que é difícil fazer o sinal de legal e sorrir.

Em dado momento, parei para respirar e decidi garimpar um pouco pela internet. Achei um conto de Kafka (Um Médico de Aldeia) e não resisti – tentei, mas não consegui. É incrível, fascinante e angustiante – quem está com deadlines a todo vapor sabe disso – como a literatura pode ser o redemoinho, o furacão, a perdição ou a paixão bandida de alguém. Olhei para a *** e depois para Kafka. Foi fácil demais escolher.

cigarretes
Tenha nervos.

Fluxo de consciência # 16

Depois de horas na frente do computador e de papéis, meus olhos estão ardendo como dois tomates verdes fritos. De qualquer forma, acordei 5h ouvindo o canto do galo em algum lugar das proximidades ~ isso sempre me encanta! ~ e o barulho de motores ~ isso me desencanta profundamente!

Fiz as atividades cotidianas – planeje, faça, cheque e aja – e tirei alguns preciosos minutos para lembrar da minha irmã acordando de madrugada para jogar Zelda.

zelda
Lembrança da madrugada

 

 

 

 

 

 

 

 

Saudades de jogar videogame. Nunca pensei que fosse dizer isso, mas… Lá vai. Vou tirar um dia sabático para jogar, assistir animes, ler quadrinhos e comer besteira para caramba – o que não é difícil!

goku
Eu e a minha irmã ~ minha irmã e eu 🙂

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vou terminar com uma lembrança para o meu tesourinho e para mim mesma:

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Just for you and me 😀

Mantra visual #2: Chuva

Chove desde cedo. Vários pontos da cidade estão alagados. Caos.

Ouço os pingos audaciosos baterem na minha janela antes de se lançarem em queda livre. Não há medo; pelo contrário: diante da efemeridade de todas as coisas, eles se entregam aos castelos de ar.

Cachorros latem ao longe – mas não tão longe. Novamente, os pingos de chuva. São quase 2h da manhã e a casa começa a ganhar vida.

Carros aceleram na pista molhada, enfrentando poças de água e pequenos córregos. Ao longe, o sinal de um portão eletrônico dispara. Vozes altas, como sempre, esnobam o silêncio da madrugada.

Chuva.

Fluxo de consciência # 12

Estou atravessando uma fase semelhante a um bosque escuro. Ao meu lado, tenho a Companhia Divina, um relicário com a foto das pessoas que eu amo pendurado no pescoço, certa força e coragem motivadas pelo sentimento de honra, amor e dever, e um mundo desconhecido do outro lado. Não faço ideia se vai valer a pena atravessar tudo isso, mas certamente DEVO FAZER VALER A PENA.

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Alguém???? Alguém toca na minha mão, caçamba!

Meu marido tem razão ao falar que Deus tem os planos certos para nós e, seja o que for que tivermos que atravessar, tudo está dentro de uma espécie de manuscrito cósmico universal. Mamãe também fala isso sempre. Confiando nessa lógica, até mesmo as minhas cabeçadas têm razão de ser; elas aconteceram e continuarão a acontecer exatamente como devem. Uma reflexão que não pode ser descartada.

Este é um blog público. Qualquer um que tenha acesso ao endereço pode entrar e perambular pelos meus ‘fluxos de consciência’. Felizmente, pouca gente tem real interesse nisso, o que é um IMENSO consolo. Fico feliz da minha família, dos amigos contados nos dedos e dos desconhecidos legais sempre cruzarem com os meus textos por aqui. Infelizmente, não dá para selecionar os endereços de ‘IPS’ e colocar ‘permitir’ ou ‘excluir’, não é? Paciência.

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Minha reação ao escutar ‘There’s never a forever thing’

Escutei ‘There’s never a forever thing’ (A-ha) e quase caio no choro. Estou muito sentimental. Sempre lembro das viagens que fazia com meus pais e irmã para o litoral quando escuto os sucessos do A-ha. Pensar nelas e nos passeios ao zoológico e parque botânico da minha cidade natal me enchem de paz e tranquilidade.

Lendo o livro ‘Osho de A a Z: um dicionário espiritual do aqui e agora’ pesquei a ideia de que o apego à felicidade (ou noção de felicidade, quase como uma obsessão) não vai te levar ao verdadeiro estado de paz/serenidade que você tanto procura. É um desafio enorme pular esse fogo sem se queimar ~ provavelmente, quase impossível.

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Tocando ‘Things Behind the Sun’, do Nick Drake, e se sentindo como o próprio Nick Drake. Ou seja…

Do que sinto saudades:

  • Minha família
  • Meus tios Ana e Luís
  • Perambular com a minha irmã pelo centro de Teresina
  • As praias de Luís Correia (PI) e de Fortaleza (CE)
  • Viajar de carro ouvindo A-ha e músicas dos anos 80/90
  • Olhar o céu estrelado e a lua do terraço da casa dos meus pais
  • Da quietude da madrugada em um lugar sem movimentação excessiva de carros
  • Do cantar do galo às 3h da manhã
  • Da Eni
  • Dos textos do Daniel Piza
  • Dos antigos shows de heavy metal de Teresina
  • De não pensar em nada
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Silêncio. Paz. Interior. Sur l’océan couleur de fer

Carlos escuta Estas Toone para se acalmar. Eu escuto Alcest, a trilha sonora de ‘Only Lovers Left Alive‘ e composições de William Lawes. Só de ouvir a voz do Neige já me sinto mais ‘calma’. Ele ~ ou qualquer membro da banda ~ nunca respondem qualquer interação que se faça (redes sociais e afins). Mas nem tento. Respeito. Acho que ele poderia falar por 7 horas seguidas em uma entrevista do tipo ‘fale qualquer coisa’ e eu ficaria ouvindo de boa, sem problema. Acho que o sentimento é mais ou menos como o do filme Julie & Julia. A gente fica criando ‘ídolos’ na nossa cabeça, mas eles só existem lá. Tipo o trecho da música do Morbydia (Saturnia): “E esse cosmos enorme em que tu reinas só existe no meu peito”. É por aí. Que mal há de fazer ficar com o Neige que eu ‘imagino’ ou ‘criei’ na minha cabeça (contanto que eu não vomite isso para fora, claro)?

Agora, sério: como alguém pode ficar agitada/o ouvindo esta voz? 😀

Melhor fazer o jantar.

Fluxo de consciência # 11

A cada dia que passa, sinto o silêncio renovar minhas forças. Não há barulho algum; não há ruídos. Não ouço mais os passos de ninguém esbofeteando o linóleo.

A chuva bate na minha janela educadamente ~ ela nunca atrapalha os meus devaneios e projetos. Vejo as sombras gesticulando como fantoches fantasmas em vitrines nebulosas, mas não reconheço nada e nem ninguém.

Finalmente, começo a andar pelo pântano de forma anônima. Não sou observada, mas observo.

Fluxo de consciência #10

Comprei uma areia nova para os meus gatos (mesma marca, fragrância diferente). Foucault, o âmbar, detestou! Eu também detestei. Antes, nós utilizávamos areia de sílica. Depois de ler mais sobre o assunto, decidimos abandonar a antiga areia higiênica e testar a Pipicat Perfumada Floral (minha irmã utiliza a marca e nos recomendou). Nossos gatos se amarraram! Decidimos fazer a troca. Semana retrasada, procuramos a areia nos pet shops e supermercados, mas não encontramos. Sem opção, experimentamos a Pipicat Campestre. Péssima ideia!

Nosso apartamento ficou inundado pelo odor da urina ~ a areia não segura muita coisa ~ e tivemos dificuldade em retirar os torrões. Resumindo: uma merda de gato! rs. Já achamos e compramos a Floral e amanhã tudo deve entrar nos eixos de novo.

Estou olhando para a pilha de trabalho que me espera e tento me animar. Estou tendo dificuldades em me concentrar de forma apropriada e decidi tentar algumas técnicas (depois conto mais sobre isso).

Machuquei meu pé e estou tratando com remédio, assepsia e mais remédio. Comi na rua uma sopa de legumes e grão de bico que me deixou com vontade de nunca mais repetir o prato. Os meus olhos descem de cansaço, mas minha mente não está mais desse modo:

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Garimpado da internet (não conheço o autor, se alguém souber… Tell me).

É um tremendo alívio! Estou olhando para a pilha de trabalho e sinto que vou declinar por hoje. Amanhã estarei novinha em folha ~ I hope so.

Ando aprendendo orações em latim, o que tem me motivado a retomar os estudos da língua. Já aprendi ‘Agnus Dei’. Gosto de ouvir cantos gregorianos. Eles acalmam meus neurônios agitados e eu sempre lembro da minha mãe.

Grande parte da minha exaustão vem das poucas horas de sono. Preciso organizar isso – começando por hoje – se quiser modificar hábitos.

Toquei em algum produto químico e minha mão está descamando, como se eu fosse um lagarto. Se não melhorar em 5 dias, irei procurar um dermatologista. Não tive boas experiências com médicos aqui no Rio (ainda). Vamos ver o que me espera.

L’Étranger é uma música linda e que consegue me carregar para outra dimensão! Como não amar?

Dev Patel tem uma beleza exótica (assisti ‘O Homem que Viu o Infinito’ e falarei disso mais tarde) e inspirou um dos meus personagens (conto que será publicado em ‘Os teus olhos são apenas reflexos’, outro livro que vou lançar com a minha mana). O tipo de beleza masculina que atrai o meu olhar é mais ‘oriental’. Meu marido, por exemplo, tem feições judias (quando ele usa barba fica ainda mais atraente!) Patel tem charme indiano. Neige (Stéphane Paut) é magro, narigudo, tímido e com ares de inacessibilidade magnética. Remy Hii, ator lindíssimo, é uma mistura de China com Malásia.

Melhor voltar para a minha programação. Amanhã recomeço minha agenda – dessa vez, step by step.