Fluxo de consciência # 16

Depois de horas na frente do computador e de papéis, meus olhos estão ardendo como dois tomates verdes fritos. De qualquer forma, acordei 5h ouvindo o canto do galo em algum lugar das proximidades ~ isso sempre me encanta! ~ e o barulho de motores ~ isso me desencanta profundamente!

Fiz as atividades cotidianas – planeje, faça, cheque e aja – e tirei alguns preciosos minutos para lembrar da minha irmã acordando de madrugada para jogar Zelda.

zelda
Lembrança da madrugada

Saudades de jogar videogame. Nunca pensei que fosse dizer isso, mas… Lá vai. Vou tirar um dia sabático para jogar, assistir animes, ler quadrinhos e comer besteira para caramba – o que não é difícil!

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Eu e a minha irmã ~ minha irmã e eu 🙂

Vou terminar com uma lembrança para o meu tesourinho e para mim mesma:

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Just for you and me 😀

Mantra visual #2: Chuva

Chove desde cedo. Vários pontos da cidade estão alagados. Caos.

Ouço os pingos audaciosos baterem na minha janela antes de se lançarem em queda livre. Não há medo; pelo contrário: diante da efemeridade de todas as coisas, eles se entregam aos castelos de ar.

Cachorros latem ao longe – mas não tão longe. Novamente, os pingos de chuva. São quase 2h da manhã e a casa começa a ganhar vida.

Carros aceleram na pista molhada, enfrentando poças de água e pequenos córregos. Ao longe, o sinal de um portão eletrônico dispara. Vozes altas, como sempre, esnobam o silêncio da madrugada.

Chuva.

Fluxo de consciência # 12

Estou atravessando uma fase semelhante a um bosque escuro. Ao meu lado, tenho a Companhia Divina, um relicário com a foto das pessoas que eu amo pendurado no pescoço, certa força e coragem motivadas pelo sentimento de honra, amor e dever, e um mundo desconhecido do outro lado. Não faço ideia se vai valer a pena atravessar tudo isso, mas certamente DEVO FAZER VALER A PENA.

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Alguém???? Alguém toca na minha mão, caçamba!

Meu marido tem razão ao falar que Deus tem os planos certos para nós e, seja o que for que tivermos que atravessar, tudo está dentro de uma espécie de manuscrito cósmico universal. Mamãe também fala isso sempre. Confiando nessa lógica, até mesmo as minhas cabeçadas têm razão de ser; elas aconteceram e continuarão a acontecer exatamente como devem. Uma reflexão que não pode ser descartada.

Este é um blog público. Qualquer um que tenha acesso ao endereço pode entrar e perambular pelos meus ‘fluxos de consciência’. Felizmente, pouca gente tem real interesse nisso, o que é um IMENSO consolo. Fico feliz da minha família, dos amigos contados nos dedos e dos desconhecidos legais sempre cruzarem com os meus textos por aqui. Infelizmente, não dá para selecionar os endereços de ‘IPS’ e colocar ‘permitir’ ou ‘excluir’, não é? Paciência.

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Minha reação ao escutar ‘There’s never a forever thing’

Escutei ‘There’s never a forever thing’ (A-ha) e quase caio no choro. Estou muito sentimental. Sempre lembro das viagens que fazia com meus pais e irmã para o litoral quando escuto os sucessos do A-ha. Pensar nelas e nos passeios ao zoológico e parque botânico da minha cidade natal me enchem de paz e tranquilidade.

Lendo o livro ‘Osho de A a Z: um dicionário espiritual do aqui e agora’ pesquei a ideia de que o apego à felicidade (ou noção de felicidade, quase como uma obsessão) não vai te levar ao verdadeiro estado de paz/serenidade que você tanto procura. É um desafio enorme pular esse fogo sem se queimar ~ provavelmente, quase impossível.

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Tocando ‘Things Behind the Sun’, do Nick Drake, e se sentindo como o próprio Nick Drake. Ou seja…

Do que sinto saudades:

  • Minha família
  • Meus tios Ana e Luís
  • Perambular com a minha irmã pelo centro de Teresina
  • As praias de Luís Correia (PI) e de Fortaleza (CE)
  • Viajar de carro ouvindo A-ha e músicas dos anos 80/90
  • Olhar o céu estrelado e a lua do terraço da casa dos meus pais
  • Da quietude da madrugada em um lugar sem movimentação excessiva de carros
  • Do cantar do galo às 3h da manhã
  • Da Eni
  • Dos textos do Daniel Piza
  • Dos antigos shows de heavy metal de Teresina
  • De não pensar em nada
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Silêncio. Paz. Interior. Sur l’océan couleur de fer

Carlos escuta Estas Toone para se acalmar. Eu escuto Alcest, a trilha sonora de ‘Only Lovers Left Alive‘ e composições de William Lawes. Só de ouvir a voz do Neige já me sinto mais ‘calma’. Ele ~ ou qualquer membro da banda ~ nunca respondem qualquer interação que se faça (redes sociais e afins). Mas nem tento. Respeito. Acho que ele poderia falar por 7 horas seguidas em uma entrevista do tipo ‘fale qualquer coisa’ e eu ficaria ouvindo de boa, sem problema. Acho que o sentimento é mais ou menos como o do filme Julie & Julia. A gente fica criando ‘ídolos’ na nossa cabeça, mas eles só existem lá. Tipo o trecho da música do Morbydia (Saturnia): “E esse cosmos enorme em que tu reinas só existe no meu peito”. É por aí. Que mal há de fazer ficar com o Neige que eu ‘imagino’ ou ‘criei’ na minha cabeça (contanto que eu não vomite isso para fora, claro)?

Agora, sério: como alguém pode ficar agitada/o ouvindo esta voz? 😀

Melhor fazer o jantar.

Fluxo de consciência # 11

A cada dia que passa, sinto o silêncio renovar minhas forças. Não há barulho algum; não há ruídos. Não ouço mais os passos de ninguém esbofeteando o linóleo.

A chuva bate na minha janela educadamente ~ ela nunca atrapalha os meus devaneios e projetos. Vejo as sombras gesticulando como fantoches fantasmas em vitrines nebulosas, mas não reconheço nada e nem ninguém.

Finalmente, começo a andar pelo pântano de forma anônima. Não sou observada, mas observo.

Fluxo de consciência #10

Comprei uma areia nova para os meus gatos (mesma marca, fragrância diferente). Foucault, o âmbar, detestou! Eu também detestei. Antes, nós utilizávamos areia de sílica. Depois de ler mais sobre o assunto, decidimos abandonar a antiga areia higiênica e testar a Pipicat Perfumada Floral (minha irmã utiliza a marca e nos recomendou). Nossos gatos se amarraram! Decidimos fazer a troca. Semana retrasada, procuramos a areia nos pet shops e supermercados, mas não encontramos. Sem opção, experimentamos a Pipicat Campestre. Péssima ideia!

Nosso apartamento ficou inundado pelo odor da urina ~ a areia não segura muita coisa ~ e tivemos dificuldade em retirar os torrões. Resumindo: uma merda de gato! rs. Já achamos e compramos a Floral e amanhã tudo deve entrar nos eixos de novo.

Estou olhando para a pilha de trabalho que me espera e tento me animar. Estou tendo dificuldades em me concentrar de forma apropriada e decidi tentar algumas técnicas (depois conto mais sobre isso).

Machuquei meu pé e estou tratando com remédio, assepsia e mais remédio. Comi na rua uma sopa de legumes e grão de bico que me deixou com vontade de nunca mais repetir o prato. Os meus olhos descem de cansaço, mas minha mente não está mais desse modo:

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Garimpado da internet (não conheço o autor, se alguém souber… Tell me).

É um tremendo alívio! Estou olhando para a pilha de trabalho e sinto que vou declinar por hoje. Amanhã estarei novinha em folha ~ I hope so.

Ando aprendendo orações em latim, o que tem me motivado a retomar os estudos da língua. Já aprendi ‘Agnus Dei’. Gosto de ouvir cantos gregorianos. Eles acalmam meus neurônios agitados e eu sempre lembro da minha mãe.

Grande parte da minha exaustão vem das poucas horas de sono. Preciso organizar isso – começando por hoje – se quiser modificar hábitos.

Toquei em algum produto químico e minha mão está descamando, como se eu fosse um lagarto. Se não melhorar em 5 dias, irei procurar um dermatologista. Não tive boas experiências com médicos aqui no Rio (ainda). Vamos ver o que me espera.

L’Étranger é uma música linda e que consegue me carregar para outra dimensão! Como não amar?

Dev Patel tem uma beleza exótica (assisti ‘O Homem que Viu o Infinito’ e falarei disso mais tarde) e inspirou um dos meus personagens (conto que será publicado em ‘Os teus olhos são apenas reflexos’, outro livro que vou lançar com a minha mana). O tipo de beleza masculina que atrai o meu olhar é mais ‘oriental’. Meu marido, por exemplo, tem feições judias (quando ele usa barba fica ainda mais atraente!) Patel tem charme indiano. Neige (Stéphane Paut) é magro, narigudo, tímido e com ares de inacessibilidade magnética. Remy Hii, ator lindíssimo, é uma mistura de China com Malásia.

Melhor voltar para a minha programação. Amanhã recomeço minha agenda – dessa vez, step by step.

Bastidores: Todas as Manhãs

Eu e a minha irmã vamos lançar outro livro pela Amazon. Durante quatro meses, ouvimos conversas, seja como confidentes voluntárias ou fortuitas, passeamos por lugares públicos onde é possível “observar sem ser observado”, como bibliotecas, museus, parques, hall de cinemas e cafés.

notebooks
Meus cadernos e agendas de anotações (:

Uma distância de 4 horas (voo direto) ou 8 horas (voo com uma conexão) está entre nós. Mas temos nossas armas secretas, nossos códigos, táticas, estratégias… Nossos modos de nos fazermos presentes em dois lugares ao mesmo tempo. Ora essa, se o personagem de Jeremy Irons conseguiu fazer isso em “Lembranças de um amor eterno“, por que razão nós não conseguiríamos elaborar um plano melhor (tendo em vista a vantagem de estarmos vivas ~ ops, ameaça de spoiler)?

Estamos nos divertindo muito ao utilizar nossas experiências, misturá-las e criar histórias. Fico feliz pela minha irmã também ter se apaixonado por ‘ficção-real’ e, em contrapartida, apresentado ao meu cérebro um pouco de fantasia. 🙂

Outras coisas vão surgindo aos poucos. Do nosso modo, vamos espalhando a semente.

Amanhã escrevo mais sobre “Todas as Manhãs” e deixo o link de acesso para compra.

Luz das estrelas

Pouco depois que você se foi, comecei a escutar compulsivamente “A Day in December” (Diary of Dreams). Escutei tantas vezes que perdi a conta. Também escutei ‘Délivrance‘ (Alcest) incontáveis vezes, imaginando o quanto você gostaria do então novo álbum da nossa banda francesa preferida.

Já são 3 anos, minha amiga-irmã querida! Três anos.

Durante todo esse tempo, eu sempre a mantive presente nas minhas orações e no meu pensamento. Mas por que não é suficiente? Por que, volta e meia, eu gostaria tanto de poder voltar atrás e ter prestado mais atenção, escrito mais, conversado mais, feito tudo mais? Uma de nossas amigas, que também sofre tanto quanto eu, disse que não tinha como “barrar” esse acontecimento porque você era tão grande, tão imensa e tão dona do seu próprio mundo que ninguém conseguiria interromper o seu fluxo… O fluxo de um rio que corre sem parar, impetuoso e decidido.

Eu me casei em 2014, minha querida. Oito meses depois que você foi embora. Vou contar uma coisa que nunca contei para ninguém – até agora: assim que me mudei e vim morar no Rio, passei um tempo ordenando o caos inerente ao ato de mudar em si. Tantas caixas, tanta burocracia, tanta nova vida… Mas lembro de uma vez, logo nos primeiros meses de 2015, quando estava retornando para a biblioteca de uma universidade particular, topar o meu olhar com uma garota que estava entrando no elevador. Puxa, Eni… De costas, ela era igual a você. A pele, o cabelo longo e preto, a altura… Meu Deus, como era igual! Congelei por alguns segundos e meu coração parou. Fiquei ali estancada, olhando fixamente, mas quando ela finalmente virou o rosto, vi que não era o seu. Aquilo apertou a minha alma como a mão de um gigante torturador.

Todos os presentes que você me deu estão espalhados pela minha casa. Algumas coisas que eu tinha deixado na casa dos meus pais ~ meu lar para sempre ~ já estão aqui. Em certos momentos, eu toco nesses objetos porque sei que você os tocou e sua energia continua intacta dentro deles. Eu sinto muito não ter sido a amiga intensa e profunda que você merecia ~ e ainda merece. Você sabe… Sou capaz de ficar no meu próprio mundo, com as portas trancadas e com muita relutância em sair. Pouquíssimas pessoas tem acesso a esse mundo e você era ~ e continuará sendo para todo o sempre ~ uma delas.

Nesses 3 anos, eu não recebi mais suas cartas carinhosas, seus presentes, seus artesanatos, sua vida… Você. Meu Deus, como eu sinto saudades!

Ainda em 2014, participei de um ‘ato penitencial’ na Igreja Nossa Senhora das Dores, a mesma na qual me casei, e pensei em você em todos os momentos. Eu não tinha participado de uma cerimônia como aquela e foi lindo… Extremamente lindo!

Guardei por quase dois anos a última mensagem que você me enviou pelo celular. Como troquei de número, ela se foi. Guardo suas cartas e seus e-mails. Com relação às cartas, eu as entregarei nas mãos dos seus filhos quando a sua primogênita completar 18 anos. Obrigada por ter deixado as crianças, minha amiga-irmã. Quando olho para elas, eu vejo você. A M* é a sua cara! Nossa, a semelhança aquece meu coração!

O que eu prometi a você eu irei cumprir. Fique certa disso. Eu tenho uma série de promessas a cumprir e irei, passo por passo, terminá-las. Eu e minha irmã escrevemos um livro para você. Falta ser ilustrado, mas está lindo! Você amaria!

Saiba que meu coração ainda está fechado. O seu lugar continua aqui, na catedral gótica da minha alma, e ficará por toda a eternidade. Eu tinha 26 anos quando você se foi. Hoje tenho 29. O tempo vai continuar passando e você continuará aqui, pulsando e batendo. Eu te amo, Enimara (minha xará de final de nome, minha amiga querida… Luz das estrelas)! Eu te amo!

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