Fluxo de consciência # 16

Depois de horas na frente do computador e de papéis, meus olhos estão ardendo como dois tomates verdes fritos. De qualquer forma, acordei 5h ouvindo o canto do galo em algum lugar das proximidades ~ isso sempre me encanta! ~ e o barulho de motores ~ isso me desencanta profundamente!

Fiz as atividades cotidianas – planeje, faça, cheque e aja – e tirei alguns preciosos minutos para lembrar da minha irmã acordando de madrugada para jogar Zelda.

zelda
Lembrança da madrugada

Saudades de jogar videogame. Nunca pensei que fosse dizer isso, mas… Lá vai. Vou tirar um dia sabático para jogar, assistir animes, ler quadrinhos e comer besteira para caramba – o que não é difícil!

goku
Eu e a minha irmã ~ minha irmã e eu 🙂

Vou terminar com uma lembrança para o meu tesourinho e para mim mesma:

game
Just for you and me 😀

Fluxo de consciência # 15

Nem por um segundo sou capaz de questionar a maravilha que é o inverno. Mas, como nem tudo é perfeito, há algo de podre na estação mais completa de todas: os dias viram noites prolongadas. E rápido, muito rápido.

Não que eu desgoste da noite – pelo contrário, sou extremamente grata. É o meu período mais criativo -, mas fica impossível perambular pelas ruas da cidade ou tentar dormir por horas seguidas. Tenho insônia, meu prédio e minha rua são barulhentos – um arrastar sem fim de móveis no andar de cima, gritos vindos da rua (vozes histéricas, brigas, gargalhadas insanas), motor de veículos e os insuportáveis ônibus (pelo menos um intermunicipal passa por aqui)… Sem contar as intermináveis motos e suas buzinas.

Além disso, não se pode flanar pelas ruas como nos bons tempos do século XIX – que tinha lá seus perigos e marmoteiros, afinal… Mas acho que a violência urbana atual – daqui e de outros locais – é tão sufocante que ficar em casa ainda é a melhor opção (pelo menos para mim).

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RJ: O vento no rosto e a calmaria de 1854

Tenho trabalhado até tarde – para freelancer, não existem férias -, dormido pouco, assistido a filmes e séries e lido algumas coisas (menos do que gostaria). A grande felicidade dos dias tem sido a capacidade de escrever com fluência, rapidez e leveza. Preciso admitir: escrever sem engasgar é ouro puro! ❤

Nos últimos dias, flanei por alguns espaços culturais e conferi exposições. Falarei disso outro dia (ou não). Entre uma instalação artística e outra, alguns questionamentos pipocaram na minha cabeça: a quem interessa manter o povo longe do conhecimento, da arte, de todo o seu esplendor, vigor e fruição? Por que continuamos alimentando a ideia de que a intelectualidade é “talento” para poucos? Ou ainda – e mais importante: Como ousamos nós, oh intelectuais abastados ou em processo de ascensão, apontar o dedo na cara de pessoas que trabalham de segunda a sábado, em longas jornadas diárias, com salários que não fazem nem cócegas nos pés de ladrões engravatados – veja, eles falam em “milhões” (propina de 2 milhões, 1 milhão, 500 mil… que dinheiro é esse, eu me pergunto?! que soma é essa que nem imagino que exista?), exigindo que tenham a obrigação de se interessar pelas esculturas de Lasar Segall, ler Machado de Assis e decodificar suas ironias brilhantes, ouvir William Lawes, se deliciando com suas composições barrocas, e cair em euforia ou catarse ao observar uma tela de Iberê Camargo?

Quanta hipocrisia nesse país afundado, meu Deus! Tenho pensado nisso todos os dias e meu estômago embrulha. Planos e esforços hercúleos para terminarmos como Sísifo. Puxa vida!

train
A quem interessa que eu me torne um animal mecânico? A quem?

No coração da cidade, as pessoas parecem estar cada vez mais loucas, mau humoradas, indiferentes, resmungonas, chateadas, frias, trapaceiras, desinteressantes e mortas-vivas. E claro: alguém tem que pagar. E esse alguém, geralmente, é o seu próximo.

A cada novo dia que nasce, defendo a criação de um templo interno onde você consiga se resguardar da sandice que é viver em um umbral. Falo de modo geral, e não apenas da cidade em que resido no momento. Ou você constrói seu templo sagrado ou você vai ser despedaçado. Como grita James Hetfield com sua voz rasgada: “Sad but true”.

E como criar um templo interior, você me perguntaria?!

Bem, eu tenho desenvolvido algumas técnicas. Elas funcionam para mim – evidentemente, podem ou não funcionar para você:

  • Reservar algum tempo durante o dia para fazer atividades que me dão prazer;
  • Falar pouco – quase nada – e ouvir mais;
  • Prestar total atenção no outro mas, quando a conversa atingir níveis insuportáveis (ou se for o caso de manter contato com pessoas intragáveis), eu tiro a minha mente do local (hasta la vista, baby). Não me sinto na obrigação de aturar ladainhas ou “fa-lá-lá-lá” de ninguém. Também não gosto de ser indelicada e rude, portanto, eis o escapismo perfeito;
  • Não perder nem 10 minutos do meu tempo com vitrinismos ou conversas desnecessárias (fofocas, vida alheia, passar o tempo observando a rotina do outro em redes sociais, entre outros tipos de inutilidades);
  • Entender que o mundo não é um paraíso onde “eu faço só o que eu quero”, mas sim um lugar onde, muitas vezes, você precisa fazer “o que tem que fazer”;
  • Ficar ao lado das pessoas & animais que amo (99% deles moram fora, com exceção do meu marido e dos meus gatos, portanto, sempre dou um jeito: mando cartas, cartões (pois é!!! adoro!!), e-mails, torpedos de celular (não se surpreenda!) e mensagens pelo whatsapp. Ouço o que elas têm a dizer, o que pensam e o que sentem com 100% de atenção e empatia;
  • Tornar o relógio um amigo pessoal e não um inimigo capital.

Essas são algumas técnicas que estou desenvolvendo. Devo escrever um texto mais aprofundado e publicar. Deixo o link por aqui. Também quero falar sobre minhas impressões ao perambular pelos centros culturais. Inclusive, uma dessas perambulações me fez confrontar diretamente o meu passado e rever os meus objetivos, sonhos e a minha própria vida (sobre isso eu não quero falar, felizmente).

fantas
Dans mon monde

Sobre desencantos #6

Tenho um grande amigo ~ um dos melhores! ~ que, assim como eu, está vivendo o processo de “vida sem rastros” (ou quase sem rastros) nas redes sociais. Pelo menos, rastros disseminados por nós mesmos.

Esses dias – ontem, na verdade -, ele veio desabafar:

Best Friend: – Estou triste.

Moi: – Por que?

Best Friend: – Estou há três semanas longe das redes sociais e ninguém mais comenta nas minhas postagens, curte, etc e etc… (choradeira gótica). Parece que me esqueceram (mais choradeira gótica).

Moi: – Por que isso te incomoda tanto?

Best Friend: – Pô, meu! Quem gosta de ser esquecido????! (indignação)

Moi: – Essas pessoas com amnésia seletiva… Quem são?

Best Friend: – Não são amigões… Mas são amigos, colegas…

(interrompo antes que o alaúde toque novamente)

pinkcel
Estratégia para o perfil do Instagram

Moi: – Antes de tudo, permita-me dizer: Não são amigos. Amigo que é amigo não esquece, não tem amnésia seletiva e, acima de tudo, respeita o silêncio ou dá seu jeito em ir atrás, saber o que está acontecendo, quais são suas motivações… Colegas e conhecidos… Desculpe, mas devem estar no modo “I don’t give a fuck” para você. Já assistiu “O Casamento do Meu Melhor Amigo?”

– Best Friend: – Já… Mas o que isso tem a ver?

– Moi: – Meu caro, você está correndo (lamentando) toda essa gente. E quem é mesmo que está correndo atrás de você?

(Silêncio).

– Best Friend (indignado, passando a peteca pra mim): – Você não se importa não, Mara? Galera não comenta mais nas suas coisas, não curte…

– Moi: – Não.

– Best Friend: – COMO NÃO?

– Moi: – Para mim, recíproca é coisa forte, entende?! Se não estão dando a mínima, por que eu deveria dar?

hand
Hello? I don’t care.

Sobre desencantos #5

Que o ser humano, em termos gerais, é uma espécie de espantalho egoísta, mesquinho e desprezível não resta a menor dúvida. No entanto, certos elementos alcançam o status de “hors concours” quando se trata de desrespeito e escr***dão.

Desde ontem, um grupo de pessoas que berra como uma cabrada usa um play (?), um terraço de casa de vila (?), um espaço público (?) para atormentar toda a vizinhança com sons altíssimos, atordoantes, incessantes, perturbadores. Ontem, a festa de Baco só terminou às 3h da manhã. Insuportável! Hoje, passei o dia todo querendo me concentrar, ler, fazer minhas atividades intelectuais… Quase sem sucesso.

Os cães chupando manga continuam com suas gritarias, suas músicas sobre traição, amores interrompidos, sobre “dar na cara dela” e coisas do gênero. A cidade está caótica, dominada pela criminalidade, perigando explodir em uma bolha de violência e desemprego maior do que já está e as pessoas continuam agindo como se nada disso fosse com elas ou sobre elas. Eu poderia repetir o jargão utilizado à exaustão por aí (a saber, o famigerado “lamentável!!!!”), mas prefiro massagear as minhas têmporas, fechar os olhos e treinar a respiração.

Quando não se há nada mais a dizer, não se diz nada.

Ne verbum quidem.

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Observar. Pensar. Sentir. Fazer.

Fluxo de consciência #9

Estou melhorando consideravelmente da inflamação na garganta. Não sei como isso começou – pode ter sido em qualquer lugar, a Idade Média está aí para provar essa teoria. Por indicação da minha mãe, tomei Diclofenaco e acredito que o remédio seja o responsável pela minha melhora. Até hoje, se qualquer médico receita qualquer medicamento, preciso saber o que meus pais acham antes de tomá-lo. Não é questão de gugu-dadá, antes que alguma maldade sobrevoe sua cabeça. Apenas confiança cega, completa. Cada um age conforme sua consciência – ou, pelo menos, deveria agir.

Longe das redes sociais e aplicativos de conversa instantânea desde o dia 15 deste mês, tenho sentido melhoras significativas na minha administração do tempo, humor e até mesmo na disposição/motivação. Tenho um pancadão de coisa para resolver antes de 2021 e quero continuar com meus progressos. Não falo aqui de progresso envolvendo la prata, honrarias (ha-ha-ha), alpinismos ou nada do tipo. Falo de evolução pessoal, de transformação, de me tornar a pessoa que estou moldando, trocando, apagando, desenhando novamente, pintando… Enfim, enfim.

Sexta e sábado foram dias bem difíceis, especialmente sexta, por conta da dor na garganta. Nossa, fazia tempo que eu não sabia o que é ficar impossibilitada de engolir a própria saliva! O lado bom – porque todas as coisas o possuem – foi voltar a molhar o pão com manteiga no café com leite quente. Lembro que gostava muito de fazer isso em casa (na casa dos meus pais), mas fui abandonando o hábito depois de comer patês, frios, ovos mexidos, entre outras distrações. Carlos fez uma sopa – eu o tenho ensinado a preparar caldos e sopas. Ficou um pouco aguada demais mas, para uma primeira vez, acho que ele se saiu muito bem!

Meus episódios de sono têm ficado cada vez mais distantes e, apesar do spleen, tenho tido mais disposição e vitalidade. Já enviei os cartões e as cartas do mês de março. Sinto saudades de escrever em papel, gastar palavras, soltar ideias… Tenho algumas encomendas – meus livros, na verdade – para enviar e preciso terminar de organizar o livro da Ana Cândida. Ela vai lançar uma obra com suas fotos sensacionais e sua peça “O Segredo da Salamandra”. A Candinha é uma das pessoas mais talentosas e inteligentes que eu conheço e isso é estimulante!

Hoje de madrugada, algumas pessoas ficaram gritando na rua, colocando o som no máximo, assoviando, xingando… Esses comportamentos são cansativos. Cada vez mais eu me canso… Sinto uma náusea crescente de certas atitudes e mentes lodaçais. Mas é a velha sabedoria da minha mãe:

“Não reclame. Mude”. 

Preciso terminar algumas atividades domésticas e colocar livros novos no meu e-reader. Por incrível que pareça, estou empolgada com ele! Estou lendo, vendo filmes, ouvindo música, “flanando pelos lugares certos” ~ o que tem feito toda a diferença na minha vida ~ e evitando perturbações. E o melhor de tudo: SEM DEIXAR RASTROS! Felizmente, minha mente está conseguindo permanecer vazia por mais tempo!

P.S1: Minha meta é escrever neste blog 2 vezes por semana.

P.S2: Essa música expressa como ando me sentindo nos últimos tempos:

(Gosto da voz de Madeline Follin, versão da banda SQÜRL). Claaaaaaaro: influência do meu novo filme preferido do coração <3.

“Here I go,
Going down, down, down,
My mind is a blank,
My head is spinning around and around,
As I go deep into the funnel of love.

It’s such a crazy, crazy feeling,
I get weak in the knees,
My poor old head is a reelin’,
As I go deep into the funnel of love.

I tried and I tried, to run and hide,
I even tried to run away,
Ya just can’t run from the funnel of love,
It’s gonna get ya someday.

It’s such a crazy, crazy feeling,
I get weak in the knees,
My poor old head is a reelin’,
As I go deep into the funnel of love.

I tried and I tried, to run and hide,
I even tried to run away,
Ya just can’t run from the funnel of love,
It’s gonna get ya someday.

Here I go, going down, down, down,
My mind is a blank,
My head is spinning around and around,
As I go deep into the funnel of love,
Deep into the funnel of love,
Deep into the funnel of love”.

adameeeve
Eve & Adam em Only Lovers Left Alive

A traquinagem de Fenrir

Fenrir, um dos meus felinos, foi protagonista de uma brincadeira de super mau gosto esses dias.

Depois de chegar do almoço, resolvi passar algumas roupas e organizar os lençóis e fronhas no armário. Como o ferro fica extremamente quente e o fio que o liga à tomada é curto, sempre fecho a porta do quarto (minha área de serviço é pequena e costumo passar roupa no quarto ou na sala).

Enquanto eu executava o serviço e ouvia música (Alcest e Tristania, para ser mais exata), Fenrir se esgueirou pelo outro quarto (conhecido aqui em casa como o quarto “dos meus pais e irmã”) e, sorrateiramente, entrou no guarda- roupa. Sem notá-lo ou imaginar que ele estava lá, Carlos colocou o cinto no cabideiro interior e trancou a porta.

Já havia se passado uma meia hora quando dei por falta de Fenrir. Entrei em desespero. Onde poderia estar meu gatinho?  Eu e Carlos procuramos pela casa toda e nada. Teria ele arrancado a tela de segurança? Não. Escapado pela porta da frente? Ela não foi aberta. Entrado em alguma pilha de livros? Não. Imaginei até que ele pudesse ter sido abduzido (sem sacanagem). Fique em pânico!

Abrindo a porta do guarda-roupa por reflexo, dei de cara com aqueles olhinhos azuis pulando do meio da roupa, enchendo-as de pelos. Fenrir estava com uma cara super tranquila, como se estivesse voltando de um passeio em Veneza.

Fiquei tão nervosa que precisei me sentar na cama depois de tê-lo achado. Que desfaçatez, hein?!