Sobre como karma é uma coisa séria

Uma historinha cotidiana para ilustrar tal pensamento:

Eu estava em uma loja de utilidades procurando panos de limpeza e outros utensílios domésticos. Fazia um calor absurdo e o tempo estava abafado. Eu transpiro muito – herança genética – e minha camiseta vermelha estava encharcada (principalmente nas costas e axilas). Um grupo de 3 ou 4 funcionários, ao me ver perambular pela loja, começou a caçoar de minha “condição dérmica”. Piadas como “Nossa, está tão quente!”, “Eita, que calor dos orientes!” e coisas do tipo começaram a pipocar nas minhas costas.

Sinceramente, não dei bola. Mas devo dizer que acho piadas e gracejos despropositados uma ocupação de muito mau gosto. Na verdade, detesto piadas.

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Minutos depois, quando eu estava saindo da loja, uma das integrantes do grupo de caçoadores tentava pegar um objeto em uma prateleira alta. Ela é uma mulher de estatura baixa, o que impedia, dessa forma, que ela alcançasse a prateleira.

A mulher se desequilibrou, topou em mim e quase caiu. Essa topada me fez ir de encontro aos pratos de porcelana. Por sorte, sabe-se lá como, segurei 90% dos pratos. Dois caíram e não sofreram nenhuma raladura e só um trincou na ponta.

Moral da história: Qualquer coisa que você faça, por mais “insignificante” que possa parecer, volta para você. Para o bem ou para o mal.

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Feeling Vampiresco

Em uma coisa, pelo menos, eu e os vampiros temos muita afinidade: sofremos de sensibilidade profunda ao sol.

Eu amo o sol! Gosto demais do amanhecer, das primeiras horas da manhã despertando o mundo mais uma vez, dos cândidos raios solares atravessando janelas e cortinas para chegar até nós, oh, escravos de Morfeu! Essas pequenas ações da natureza me causam profundo regozijo.

No entanto, depois das 6 horas da manhã, no massacrante período conhecido como Verão – auxiliado por sua meiga parceira conhecida como Primavera -, meus olhos queimam. Sim, meus amigos, é exatamente isso: meu corpo entra em combustão.

Não consigo ler ou ficar muitas horas parada em um lugar iluminado. Se pensar em utilizar o computador, por mais que o contraste e a iluminação do aparelho estejam no mínimo, vou desenvolver uma enxaqueca teimosa, que só me abandonará – e se abandonar – depois de ser expulsa a pontapés por analgésicos. Mas como tudo tem um preço, os analgésicos cobram o seu. Só consigo utilizar máquinas com telas que reproduzem luminosidade se eu estiver em ambiente fechado, com todas as cortinas cerradas e fazendo uso de luz artificial.

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Portanto, eu tento o máximo possível – e impossível – evitar o sol entre 10h da manhã e 17h da tarde. O que acabou gerando um outro problema: em um exame de sangue feito no começo do semestre, foi constatado que meu corpo estava com insuficiência gritante de vitamina D (a danada da vitamina solar!).

Por conta disso, eu fiquei fraca, sem força ou ânimo para quase nada, com queda de cabelo e certa melancolia. Também fiquei doente com mais frequência e tive “inexplicáveis” dores no corpo. Enfim, tive que voltar para o sol de novo.

“E por que você não usa óculos escuros?”, podem perguntar os especialistas. Bem, eu uso óculos de grau, não me dei bem com lentes de contato e precisaria solicitar a fabricação de óculos escuros com grau apropriado. No momento, não estou nenhum pouco a fim de desembolsar uma nota para isso. “I am sorry, guys!”.

A fotofobia é a principal ligação que tenho com o mundo vampiresco. Ah, e claro: o efeito combustão. Quem conhece o personagem Shishio Makoto, do anime e mangá Rurouni Kenshin, já deve imaginar o que é isso. Em níveis menos drásticos, devo salientar.

A voadora que recebi da alergia

Tenho alergia à poeira, mofo, fuligem e poeira de obra. Na casa dos meus pais, a casa é mantida no mais absoluto rigor no quesito limpeza (e em vários outros também. Hehehe). Tudo está sempre limpo, espanado, organizado… A casa inteira exala perfume, lavanda do campo, esses cheiros bons. 🙂 (saudades!)

Quando me mudei, comecei a criar o ritmo que me agrada aqui em casa. Sou virginiana xiita, alérgica e Tipo 1 no Eneagrama, então, você pode imaginar que as minhas afinidades com o estilo de vida que me acompanhou por 27 anos não são imposições. Pelo contrário: foram bons anos de aprendizado para manter tudo fluindo.

No entanto, mesmo mantendo a casa com cuidados marciais de limpeza e organização, moro em frente a uma rua movimentadíssima, com carros passando o tempo inteiro, congestionamento e outros falálás. Fora isso, andando pelas ruas ou por outros lugares com outros métodos de limpeza, a alergia parece ter me ouvido chegar e bateu na porta. Meu corpo, por alguma razão que desconheço – ou não -,  está de ressaca e anestesiado faz algum tempo, deixou que essa cáspita entrasse. Resultado: três semanas com INTENSA tosse, espirros, corpo mole, nariz congestionado e etc, etc.

A alergia me nocauteou com um gancho de esquerda. Não satisfeita, me deu uma voadora súbita, me deixando inapta para qualquer serviço por dois dias. Sorte que os médicos que me acompanham são rápidos e fisgaram a maluca tentando me açoitar. Fora isso, minha mãe sabe uma receita de família,  do tipo centenária, de uma espécie de mel natural feito de folhas, ervas e outras coisas orgânicas que é simplesmente incrível! Tomei esse mel por 5 anos quando era criança e fiquei livre de todo tipo de problema alérgico ou resfriado.

Mamãe enviou o mel, que chamamos carinhosamente de ‘lambedor’ (pela aparência viscosa, doce, um pântano de açúcar), e comecei a tomar, seguindo também os remédios indicados. Nos últimos dias, tenho estado bem melhor. Mas tenho pensado em, algum dia não tão distante, respirar uma possibilidade mais natural, mais próxima da terra, das folhas, da luz do sol, dos pássaros.

Mantra visual #2: Chuva

Chove desde cedo. Vários pontos da cidade estão alagados. Caos.

Ouço os pingos audaciosos baterem na minha janela antes de se lançarem em queda livre. Não há medo; pelo contrário: diante da efemeridade de todas as coisas, eles se entregam aos castelos de ar.

Cachorros latem ao longe – mas não tão longe. Novamente, os pingos de chuva. São quase 2h da manhã e a casa começa a ganhar vida.

Carros aceleram na pista molhada, enfrentando poças de água e pequenos córregos. Ao longe, o sinal de um portão eletrônico dispara. Vozes altas, como sempre, esnobam o silêncio da madrugada.

Chuva.

Sobre desencantos #6

Tenho um grande amigo ~ um dos melhores! ~ que, assim como eu, está vivendo o processo de “vida sem rastros” (ou quase sem rastros) nas redes sociais. Pelo menos, rastros disseminados por nós mesmos.

Esses dias – ontem, na verdade -, ele veio desabafar:

Best Friend: – Estou triste.

Moi: – Por que?

Best Friend: – Estou há três semanas longe das redes sociais e ninguém mais comenta nas minhas postagens, curte, etc e etc… (choradeira gótica). Parece que me esqueceram (mais choradeira gótica).

Moi: – Por que isso te incomoda tanto?

Best Friend: – Pô, meu! Quem gosta de ser esquecido????! (indignação)

Moi: – Essas pessoas com amnésia seletiva… Quem são?

Best Friend: – Não são amigões… Mas são amigos, colegas…

(interrompo antes que o alaúde toque novamente)

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Estratégia para o perfil do Instagram

Moi: – Antes de tudo, permita-me dizer: Não são amigos. Amigo que é amigo não esquece, não tem amnésia seletiva e, acima de tudo, respeita o silêncio ou dá seu jeito em ir atrás, saber o que está acontecendo, quais são suas motivações… Colegas e conhecidos… Desculpe, mas devem estar no modo “I don’t give a fuck” para você. Já assistiu “O Casamento do Meu Melhor Amigo?”

– Best Friend: – Já… Mas o que isso tem a ver?

– Moi: – Meu caro, você está correndo (lamentando) toda essa gente. E quem é mesmo que está correndo atrás de você?

(Silêncio).

– Best Friend (indignado, passando a peteca pra mim): – Você não se importa não, Mara? Galera não comenta mais nas suas coisas, não curte…

– Moi: – Não.

– Best Friend: – COMO NÃO?

– Moi: – Para mim, recíproca é coisa forte, entende?! Se não estão dando a mínima, por que eu deveria dar?

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Hello? I don’t care.

Fluxo de consciência # 14

A versão cinematográfica mais recente de Jane Eyre (2011) traz um diálogo entre Jane e St. John Rivers. É mais ou menos assim:

St. John: –  Achei um trabalho para você, mas receio que não seja digno de suas capacidades. Trata-se de assumir uma escola para meninas, filhas de aldeões, por 15 libras por ano. Como pode ver, muito simples.

Jane: – Eu aceito, Mr. St. John. Muito obrigada!

St. John: – Mas o que você vai fazer com todo o seu talento?

Jane: – Vou guardá-lo até que possa usá-lo novamente. Ele não vai sumir.

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Será só imaginação? Eu era uma lobisomem juvenil.

Pois é.

Nos últimos meses, reler o livro e assistir repetidas vezes ao filme (essa versão, digo) tem sido uma espécie de “agasalho” para o meu espírito. Ser nocauteada por circunstâncias “naturais”, “externas” e “rotineiras” já tem seu toque de dureza em si, imagine então receber “voadora” de pessoas & criaturas… Perceber o mau caráter, a maldade, a pilantragem, a armação, o charlatanismo…

Um amigo me diz sempre:

– O mundo é isso mesmo. Só tem esse tipo de gente para lidar e conviver, etc e etc.

Keller Dover, personagem de Hugh Jackman em “Os Suspeitos”, apontaria o dedo na minha cara e diria:

– Espere o melhor, mas prepare-se para o pior.

Pois é.

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No melhor feeling de “Get out!”

Sobre desencantos #5

Que o ser humano, em termos gerais, é uma espécie de espantalho egoísta, mesquinho e desprezível não resta a menor dúvida. No entanto, certos elementos alcançam o status de “hors concours” quando se trata de desrespeito e escr***dão.

Desde ontem, um grupo de pessoas que berra como uma cabrada usa um play (?), um terraço de casa de vila (?), um espaço público (?) para atormentar toda a vizinhança com sons altíssimos, atordoantes, incessantes, perturbadores. Ontem, a festa de Baco só terminou às 3h da manhã. Insuportável! Hoje, passei o dia todo querendo me concentrar, ler, fazer minhas atividades intelectuais… Quase sem sucesso.

Os cães chupando manga continuam com suas gritarias, suas músicas sobre traição, amores interrompidos, sobre “dar na cara dela” e coisas do gênero. A cidade está caótica, dominada pela criminalidade, perigando explodir em uma bolha de violência e desemprego maior do que já está e as pessoas continuam agindo como se nada disso fosse com elas ou sobre elas. Eu poderia repetir o jargão utilizado à exaustão por aí (a saber, o famigerado “lamentável!!!!”), mas prefiro massagear as minhas têmporas, fechar os olhos e treinar a respiração.

Quando não se há nada mais a dizer, não se diz nada.

Ne verbum quidem.

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Observar. Pensar. Sentir. Fazer.